Sustentabilidade na mineração: eletrificação e energia solar em foco

A mineração, historicamente vista como uma atividade de alto impacto ambiental, está passando por uma transformação cada vez mais acelerada. As pressões regulatórias, as expectativas sociais e as metas de carbono zero forçam o setor a repensar os seus modelos de operação.

Nesse contexto, duas tendências despontam como estratégicas para tornar a mineração mais sustentável: a eletrificação de frotas e processos e o uso de energia solar em operações remotas.

Portanto, neste artigo, vamos explorar os fatores que impulsionam essas mudanças, os desafios, os casos concretos e como tais inovações podem moldar o futuro para uma mineração mais sustentável.

Acompanhe a leitura!

Por que a mineração precisa se reinventar

A mineração mundial responde por uma parcela significativa das emissões industriais. Alguns estudos estimam que o setor consome mais de 8% da energia mundial e representa entre 4% a 7% das emissões de gases de efeito estufa relacionadas ao uso da energia.

Além disso, o mercado global de práticas de mineração verde, o chamado “green mining”, alcançou cerca de 11,2 bilhões de dólares em 2022 e projeta-se atingir quase 17,9 bilhões em 2030.

No Brasil, o cenário é duplo: o país já produz grande parte de sua eletricidade por fontes renováveis e tem um dos sistemas mais limpos da América Latina, ou seja, cerca de 90% da eletricidade brasileira em 2024 foi gerada a partir de fontes de baixo carbono.

Já a mineração nacional também está sob pressão por tragédias ambientais históricas (como Mariana e Brumadinho), que elevaram a opinião pública e endureceram as regulações sobre práticas sustentáveis. 

Este cenário cria uma oportunidade para que as empresas mineradoras adotem soluções mais limpas como uma vantagem competitiva e exigência regulatória.

Eletrificação como vetor de descarbonização

Eletrificar equipamentos, como caminhões de transporte e escavadeiras é uma estratégia essencial para reduzir as emissões diretas de combustíveis fósseis. 

Ao substituir os motores a diesel por motores elétricos alimentados por energia limpa, reduz-se a queima de combustíveis fósseis e a emissão local de CO₂.

Além disso, em operações subterrâneas, a substituição de frota a diesel reduz a necessidade de ventilação, pois não se gera tanto calor e gases, o que traz economia energética e melhora nas condições de trabalho.

Diversos projetos de mineração já demonstraram que a eletrificação pode reduzir os custos operacionais e aumentar a eficiência de manutenção, graças à simplicidade dos motores elétricos e à menor exigência de peças móveis.

Energia solar como solução para uma energia limpa

A eletrificação sozinha não basta se a matriz energética que a alimenta for suja. Por isso, a integração com fontes renováveis, em especial a solar, surge como um complemento importante. A energia solar pode ser instalada no próprio sítio de mineração, reduzindo a dependência de diesel, gerando economia e fornecendo previsibilidade de custos.

Em escala global, a instalação de capacidade renovável nas mineradoras saltou de 42 MW anuais em 2008 para 3.397 MW em 2019. Uma trajetória que indica que a adoção crescente de energia solar e eólica é viável e já está em andamento.

Dados recentes também mostram que operações que incorporam energia solar relatam uma redução de até 60% nos custos relacionados à geração elétrica e uma maior estabilidade frente à volatilidade dos combustíveis fósseis.

Na Austrália, por exemplo, a mineradora Rio Tinto planeja uma usina solar de 80 MW para abastecer as suas operações de minério de ferro em Pilbara, com estimativa de reduzir as emissões em até 120 mil toneladas de CO₂ por ano.

A posição estratégica do Brasil

O Brasil possui vantagens competitivas naturais para acelerar essa transição, com uma matriz elétrica já majoritariamente limpa e fontes renováveis que representam cerca de 90% da eletricidade, como vimos acima. Assim, o país oferece um ambiente propício para o uso de eletrificação com baixo carbono.

A energia solar no Brasil vem crescendo rapidamente: até este ano de 2025, já se contavam cerca de 53,9 GW de capacidade fotovoltaica instalada – o equivalente a cerca de 21,9% da matriz elétrica nacional.

Além disso, o país está se consolidando como player de minerais estratégicos, como o lítio. Em 2023, o país se tornou o quinto maior exportador mundial do mineral, com expectativas de multiplicar a sua produção nos próximos anos.

Entidades como o Ibram já estimam que o investimento no setor mineral brasileiro entre 2024 e 2028 alcançará 64,5 bilhões de dólares, impulsionado pela demanda por metais como cobre, níquel, ferro e lítio.

Para viabilizar esses investimentos de forma sustentável, a eletrificação e energia solar precisarão ocupar lugar central nas estratégias das empresas mineradoras brasileiras.

Perspectivas para os próximos anos

A transição para a mineração sustentável será gradual e dependente de inovações tecnológicas, evolução regulatória e maturidade do mercado. 

Desse modo, espera-se que, até 2030, várias operações já contem com uma fração expressiva da sua demanda elétrica atendida por energia solar ou híbrido, e parte da frota migrada para veículos elétricos.

Alguns estudos projetam que a maioria dos caminhões pesados em minas poderá ser eletrificada até 2040, e que o setor deverá eliminar até 85% das emissões diretas até 2050.

Para que isso ocorra, será essencial a parceria entre mineradoras e empresas de energia renovável; adoção de contratos de compra de energia que distribuam risco; além de incentivos governamentais com linhas de crédito verdes; e a aceleração no desenvolvimento de baterias de maior capacidade e durabilidade.

Portanto, se a sua empresa deseja liderar esse movimento e implementar projetos concretos que integrem eletrificação e energia solar em operações de mineração, a ZAMine Service Brasil pode ser a sua parceira ideal. 

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